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Apoio mundial à APPO

Los de abajo


Por Gloria Muñoz Ramírez
La Jornada

27 de novembro 2006

O movimento popular de Oaxaca ganha espaços e legitimidade no mundo da resistência. Já não é apenas a repressão que convoca ativistas, coletivos, agrupamentos políticos, religiosos e de direitos humanos, gente da arte, da academia e da cultura de mais de 20 países, senão a expressão de uma forma organizativa autônoma que se converte pouco a pouco em referência de transformação política impulsionada desde baixo.

Um ato repressivo impulsionou a criação da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) em junho passado, e a bárbara investida dos governos federal e estadual, iniciada nos dias 27 e 29 de outubro, que incluiu novos assassinatos, detenções e a ocupação da cidade pela Polícia Federal Preventiva (PFP), desencadeou um movimento internacional de solidariedade apenas comparável em intensidade àquele convocado pelos zapatistas e o povo de São Salvador Atenco (com suas próprias e diferentes histórias).

Até o momento se registram nas diferentes redes internacionais de comunicação mais de 160 ações de solidariedade com Oaxaca em menos de um mês. Só a jornada de mobilização do passado dia 20, convocada e impulsionada pelo Exército Zapatista de Liberação Nacional e conseguida pela própria legitimidade conquistada pelo movimento, se reportaram 47 mobilizações em 46 cidades do planeta.

As embaixadas e consulados mexicanos têm sido alvo de protestos contra a política de repressão governamental. Marchas, encontros, velas, conferências, bloqueios, performances e outras atividades culturais também vem acompanhando as ações. Porém não unicamente têm saído às ruas a condenar a onda de violência institucional, agora se há iniciado conversas informativas e debates na Europa, Estados Unidos e América Latina sobre a importância de acompanhar um movimento autônomo que enfrenta todos os dias ao poder com uma prática cuja principal força e motor é o próprio povo.

Estão sendo formados coletivos de solidariedade internacional ao povo de Oaxaca, ou assembléias de apoio, isto é, se começa a passar da mobilização à formação de uma rede organizada que acompanhe politicamente o movimento. E justo neste processo surgem o debate e as perguntas sobre a constituição e estratégia da APPO, pois é politicamente correto manifestar-se contra a impunidade e a opressão em qualquer lugar do mundo, mas envolver-se com uma experiência política nova já é um segundo passo.

Em Salamanca, Espanha, por exemplo, se constituiu a Assembléia de Solidariedade à Oaxaca, mesma que agora começa um debate sobre o caráter político da APPO, para o qual convoca “a todas as pessoas, povos, coletivos e movimentos que lutam com os povos de Oaxaca”. Sem pretender deslegitimar um movimento que abre caminho nas ruas, barricadas e assembléias, em meio à repressão cotidiana, deixam claro que necessitam do intercâmbio de idéias. O árduo caminho, evidentemente, apenas começa, com raízes profundas e verdadeiras.

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